quarta-feira, 5 de junho de 2013

Atlas Escolar Municipal: uma proposta centrada no aluno


A partir de 1990, minha coleção de manuais para o ensino Fundamental da 1ª à 4ª série, A Caminho da Geografia (publicada pela Editora Dimensão), estava sendo testada em duas salas de aula, numa escola de Contagem, ao longo de quatro anos. A edição atual dessa coleção, revista, atualizada e ampliada tem o nome Trilha para a Geografia. Destina-se aos alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental (Editora Dimensão).

Os testes na 3ª série mostraram a necessidade de ter um material relativo ao espaço geográfico municipal, para atender ao programa curricular. Esse fato deu origem ao Projeto Atlas Escolar de Contagem.

As orientações da Lei de Diretrizes Básicas (1996) reforçaram a necessidade de um material didático relativo ao espaço local e regional e justificaram o foco, a estruturação e a elaboração da coleção Atlas Escolares Municipais.

 EXTRATO DA LDB 9.394/96
DO ENSINO FUNDAMENTAL

 Art. 32. O ensino fundamental, com duração mínima de nove* anos, obrigatório e gratuito na escola pública, terá por objetivo a formação básica do cidadão, mediante:
            I. - o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
            II. - a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade;
            III. - o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores;
            VI. - o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que assenta a vida social.

Nos últimos anos, diversos autores produziram Atlas Escolares, no Brasil.

A originalidade da coleção Atlas Escolares Municipais está no fato de centrar o foco do trabalho no aluno, não na Geografia municipal.
 
A formação básica do cidadão e o desenvolvimento da capacidade de aprender através da compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, requerem uma ação pessoal do aluno: apreender o conhecimento, ou seja, pegá-lo e coloca-lo para dentro de si. Para tanto, o aluno é convidado a participar da elaboração do Atlas, complementando os exercícios propostos com dados pesquisados por ele mesmo. A participação efetiva do aluno é necessária para que ele tenha um aprendizado real dos conceitos e informações trabalhados.

Desenvolver a capacidade de aprendizagem; adquirir conhecimentos e habilidades e formar atitudes e valores; fortalecer os vínculos de família, a solidariedade humana e a tolerância recíproca referem-se ao aluno.

Na ocasião da apresentação dos Parâmetros Curriculares Nacionais para um grupo de professores, em Sete Lagoas (MG), quando perguntei o que precisava ser ainda esclarecido, uma professora concordou com o avanço da proposta privilegiando o estudo do lugar, mas, questionou o fato de sua cidade não constar de mapa em escala compatível com a proposta de estudar o espaço local e nunca aparecer nos manuais escolares.

A concepção do projeto Atlas Escolar Municipal ficou reforçada com essa demanda. O texto dos Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) justificou e confirmou a orientação teórico-metodológica do Projeto. Com efeito, o espaço do território municipal, suas paisagens e seus lugares, assim como, os processos de construção desse espaço, ao longo do tempo, são perceptíveis pelo aluno que passa a compreender o espaço em que vive, iniciando assim sua formação cidadão.

A publicação do 1º atlas (Atlas Escolar de Contagem) aconteceu em 1996, após quatro anos de pesquisa e de produção gráfica. Na época, os mapas foram desenhados manualmente e os textos redigidos em meu primeiro computador. O sumário desse 1º atlas já apresentava a base atual da coleção, porém, os textos, as figuras, os exercícios evoluíram, acompanhando a tecnologia. As imagens obtidas por satélite, o uso do computador e do Google foram testados e introduzidos ao longo do tempo.

Após Contagem, o projeto Atlas Escolar Municipal foi desenvolvido, em grande parte, no contexto do Programa Pólo do Jequitinhonha (projeto de Extensão, Ensino e Pesquisa) da Universidade Federal de Minas Gerais, de 1996 a 2003 (ver o texto do dia 25/05/2013).

 O projeto foi retomado a partir de 2011, assumindo um formato renovado, sendo o texto diagramado. Um projeto visual foi estudado para dar inicio à Coleção Descoberta da Geografia pela Criança, publicado pela Editora Fino Traço. Os Atlas Escolares de Nova Lima, Padre Paraíso, Virgem da Lapa e Betim foram elaborados de 2011 a 2012. No final de 2012, o Atlas Escolar de Belo Horizonte foi publicado. O novo Atlas Escolar de Contagem encontra-se em fase final de produção, com previsão de publicação para julho de 2013.

 
Você conhece algum desses Atlas? Tem alguma sugestão ou crítica a fazer? Por favor, deixe seus comentários no quadro abaixo...
 

 

 

 

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