A partir de 1990, minha
coleção de manuais para o ensino Fundamental da 1ª à 4ª série, A Caminho da Geografia (publicada pela
Editora Dimensão), estava sendo testada em duas salas de aula, numa escola de Contagem,
ao longo de quatro anos. A edição atual dessa coleção, revista, atualizada e
ampliada tem o nome Trilha para a
Geografia. Destina-se aos alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental
(Editora Dimensão).
Os testes na 3ª série
mostraram a necessidade de ter um material relativo ao espaço geográfico municipal,
para atender ao programa curricular. Esse fato deu origem ao Projeto Atlas Escolar de Contagem.
As orientações da Lei de Diretrizes Básicas (1996) reforçaram a necessidade de um
material didático relativo ao espaço local e regional e justificaram o foco, a estruturação
e a elaboração da coleção Atlas Escolares
Municipais.
I. - o desenvolvimento da capacidade de
aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura,
da escrita e do cálculo;
II. - a compreensão do ambiente natural e
social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos
valores em que se fundamenta a sociedade;
III. - o desenvolvimento da capacidade de
aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades
e a formação de atitudes e valores;
VI. - o fortalecimento dos vínculos de
família, dos laços de solidariedade
humana e de tolerância recíproca em que assenta a vida
social.
Nos últimos anos, diversos autores produziram
Atlas Escolares, no Brasil.
A originalidade da coleção Atlas Escolares Municipais está no fato
de centrar o foco do trabalho no aluno, não na Geografia municipal.
A formação básica do cidadão e o desenvolvimento da
capacidade de aprender através da compreensão
do ambiente natural e social, do sistema político, requerem uma ação
pessoal do aluno: apreender o conhecimento, ou seja, pegá-lo e coloca-lo para
dentro de si. Para tanto, o aluno é convidado a participar da elaboração do
Atlas, complementando os exercícios propostos com dados pesquisados por ele
mesmo. A participação efetiva do aluno é necessária para que ele tenha um
aprendizado real dos conceitos e informações trabalhados.
Desenvolver a capacidade de aprendizagem; adquirir conhecimentos e habilidades e formar atitudes e valores; fortalecer os vínculos de família, a solidariedade
humana e a tolerância recíproca referem-se
ao aluno.
Na ocasião da apresentação dos Parâmetros Curriculares
Nacionais para um grupo de professores, em Sete Lagoas (MG), quando perguntei o
que precisava ser ainda esclarecido, uma professora concordou com o avanço da
proposta privilegiando o estudo do lugar, mas, questionou o fato de sua cidade
não constar de mapa em escala compatível com a proposta de estudar o
espaço local e nunca aparecer nos manuais escolares.
A concepção do projeto Atlas Escolar Municipal ficou reforçada com essa demanda. O texto dos
Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) justificou e confirmou a orientação
teórico-metodológica do Projeto. Com efeito, o espaço do território municipal,
suas paisagens e seus lugares, assim como, os processos de construção desse
espaço, ao longo do tempo, são perceptíveis pelo aluno que passa a compreender
o espaço em que vive, iniciando assim sua formação cidadão.
A publicação do 1º atlas (Atlas Escolar de Contagem) aconteceu em
1996, após quatro anos de pesquisa e de produção gráfica. Na época, os mapas
foram desenhados manualmente e os textos redigidos em meu primeiro computador. O
sumário desse 1º atlas já apresentava a base atual da coleção, porém, os
textos, as figuras, os exercícios evoluíram, acompanhando a tecnologia. As imagens
obtidas por satélite, o uso do computador e do Google foram testados e introduzidos ao longo do tempo.
Após Contagem, o
projeto Atlas Escolar Municipal foi desenvolvido, em grande parte, no
contexto do Programa Pólo do Jequitinhonha (projeto de Extensão, Ensino e
Pesquisa) da Universidade Federal de Minas Gerais, de 1996 a 2003 (ver o texto
do dia 25/05/2013).
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